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openBIM · Artigo

Padronização openBIM: dados, processos e modelos

Como normas internacionais, europeias e nacionais conectam IFC, dicionários de dados, gestão da informação, modelos federados e fases do empreendimento.

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Este subartigo aprofunda a base normativa apresentada em openBIM: dos requisitos à modelagem e à verificação. O foco é compreender como os padrões de dados, de intercâmbio e de gestão se relacionam e como essa organização chega aos modelos e às entregas de um empreendimento.

Uma troca openBIM precisa responder a três perguntas: como os dados são estruturados, qual informação deve ser entregue e como a equipe organiza sua produção e verificação. As normas citadas pelo manual tratam de aspectos diferentes dessas perguntas, em níveis internacionais, europeus e nacionais.

Um panorama da padronização

O desenvolvimento do IFC como estrutura de dados independente de fabricante é uma base importante desse conjunto. O manual relaciona IFC4 à publicação da ISO 16739 em 2013, sua continuidade na ISO 16739-1:2018 e a incorporação de IFC4.3 à norma em 2024.

Ao redor dessa estrutura, outras referências organizam os conceitos, as propriedades, os requisitos de entrega e os processos de gestão. O diagrama mostra essas relações e sua evolução no panorama da edição de 2024.

Panorama histórico das relações entre IFC, bSDD, UCM, IDS e normas internacionais, europeias e nacionais.Panorama histórico das relações entre IFC, bSDD, UCM, IDS e normas internacionais, europeias e nacionais.

Panorama de padronização apresentado pelo manual em 2024. As datas e os códigos da imagem foram preservados como referência histórica.

Os elementos do esquema não são todos normas do mesmo tipo. IFC é um padrão de dados; bSDD é um serviço de dicionário de dados; UCM organiza casos de uso; IDS especifica requisitos de informação em formato legível por máquina. Os documentos ISO, EN e nacionais estabelecem diferentes estruturas e procedimentos relacionados ao trabalho BIM.

Estruturar a informação com IFC e propriedades

O IFC permite o intercâmbio de informações geométricas e alfanuméricas. As propriedades podem ser organizadas em conjuntos, os IfcPropertySet, que descrevem características relevantes dos elementos.

O manual apresenta os conjuntos de propriedades padronizados associados ao IFC e sua disponibilização pela buildingSMART. Também relaciona os dicionários de propriedades ao bSDD e às normas de organização dos dados.

Esse conjunto permite compartilhar mais do que a aparência de um objeto. A informação inclui seu significado, suas características e as relações necessárias à utilização dos dados por diferentes participantes.

ISO 12006-3 e conceitos multilíngues

A ISO 12006-3, citada na edição de 2022, fornece uma estrutura para a organização de informação e dicionários. O manual relaciona essa base ao IFD — International Framework for Dictionaries e ao bSDD.

O princípio apresentado é que um conceito pode ter nomes e descrições em diferentes idiomas, mantendo uma identificação única. Ao relacionar esses rótulos ao mesmo conceito, forma-se um dicionário multilíngue.

O identificador permite reconhecer o conceito independentemente do idioma de sua apresentação. Isso ajuda a evitar que palavras diferentes sejam tratadas como conceitos diferentes quando representam a mesma definição.

ISO 23386 e ISO 23387

O manual relaciona a ISO 23386 à definição e gestão de propriedades em dicionários interconectados e a ISO 23387 aos modelos estruturados de dados, ou Data Templates, para objetos da construção.

Essas referências contribuem para conectar definições de propriedades, informações de produtos e os dados utilizados nos modelos. O diagrama cita as edições de 2020; essas datas fazem parte do panorama histórico da imagem, sem substituir a conferência da edição aplicável ao trabalho.

Definir a troca com IDM e MVD

Depois de estruturar os dados, é necessário delimitar o conteúdo que uma troca deve transportar. O IDM — Information Delivery Manual, descrito na série ISO 29481, relaciona os requisitos de informação aos processos do ciclo de vida.

O manual apresenta o IDM como base para desenvolver casos de uso e definições de vistas do modelo. A MVD — Model View Definition traduz um recorte de requisitos para o intercâmbio IFC e para a implementação dos tradutores das aplicações.

O texto também relaciona a certificação de aplicações pela buildingSMART às MVDs. Para aplicar esse conceito, é necessário considerar o escopo da certificação e a troca prevista, sem presumir que qualquer arquivo IFC terá o mesmo conteúdo em todas as ferramentas.

Gerir a informação com a série ISO 19650

As regras de gestão complementam as estruturas de dados e as definições de intercâmbio. O manual organiza as partes da ISO 19650 da seguinte forma:

ParteTema apresentado
ISO 19650-1Conceitos e princípios da gestão da informação.
ISO 19650-2Gestão da informação na fase de entrega do ativo, incluindo projeto, construção e comissionamento.
ISO 19650-3Gestão da informação na fase de operação do ativo.
ISO 19650-4Intercâmbio de informação.
ISO 19650-5Abordagem orientada à segurança da informação.

A parte 6 aparece entre parênteses no panorama do livro. Como atualização editorial, a ISO 19650-6:2025 já foi publicada e trata de informações de saúde e segurança. Esse tema é distinto da abordagem de segurança da informação da parte 5.

As normas de gestão organizam a maneira como a equipe produz, entrega, verifica e utiliza a informação. Elas se relacionam com a estrutura e os usos do modelo, sem transformar esses aspectos em uma única especificação.

Coordenar modelos por federação

O modelo de coordenação reúne os modelos produzidos pelas disciplinas, preservando sua organização e responsabilidade de autoria. Essa composição permite avaliar as relações entre arquitetura, estrutura e instalações.

Modelos de arquitetura, estrutura e instalações reunidos em um modelo federado para coordenação.Modelos de arquitetura, estrutura e instalações reunidos em um modelo federado para coordenação.

Modelos disciplinares contribuem para a visão federada usada na coordenação.

O modelo federado não significa que toda a equipe passe a editar um único arquivo de autoria. A coordenação utiliza as contribuições para analisar o conjunto, enquanto cada disciplina continua responsável por seu conteúdo e pelas correções necessárias.

A organização europeia das normas BIM

O manual registra a criação do CEN/TC 442 — Building Information Modelling em 2015. O objetivo apresentado é desenvolver um conjunto estruturado de normas e relatórios para definir, descrever, trocar, monitorar e registrar dados dos ativos.

Essa organização abrange o tratamento seguro dos dados, sua semântica, os processos e as conexões com informações geográficas e outras fontes. No panorama do livro, são apresentados quatro grupos de trabalho: estratégia e planejamento, intercâmbio de informação, especificação de entrega de informação e dicionários de dados. Essa relação descreve a organização citada na edição de 2024.

O manual destaca que a harmonização europeia amplia a relevância dessas especificações para o setor de software, porque reúne necessidades de um mercado maior do que o de uma referência nacional isolada.

Necessidade de informação: EN 17412-1 e ISO 7817-1

A EN 17412-1 é apresentada como referência europeia para o LOIN — Level of Information Need, ou nível de necessidade de informação. O conceito permite estabelecer o escopo e o detalhamento necessários em função dos usos e das entregas ao longo do ciclo de vida.

Como atualização editorial, a ISO 7817-1:2024 trata internacionalmente dos conceitos e princípios do nível de necessidade de informação. A referência histórica à EN no manual foi mantida; a seleção de uma edição ou adoção nacional para o empreendimento exige sua conferência específica.

Fases do empreendimento segundo a EN 16310

A EN 16310:2013, citada pelo manual, organiza a terminologia dos serviços de engenharia e as fases do ciclo de vida. O objetivo apresentado é reduzir diferenças de interpretação entre países e facilitar a colaboração na construção de edifícios, infraestrutura e instalações industriais.

Fases e subfases do projeto e do ativo segundo o esquema da EN 16310:2013 apresentado no manual.Fases e subfases do projeto e do ativo segundo o esquema da EN 16310:2013 apresentado no manual.

Fases e subfases no esquema de referência. A apresentação em português está na tabela a seguir.

FaseSubfases traduzidas do esquema
0 — IniciativaEstudo de mercado; análise da justificativa e viabilidade do empreendimento, ou business case.
1 — IniciaçãoInício do projeto; estudo de viabilidade; definição do projeto.
2 — ProjetoProjeto conceitual; projeto preliminar e desenvolvido; projeto técnico ou FEED; engenharia detalhada.
3 — Aquisição e contrataçãoAquisição; contratação da construção.
4 — ConstruçãoPreparação da construção; construção; comissionamento; entrega; aprovação regulatória.
5 — UsoOperação; manutenção.
6 — Fim de vidaReadequação ou modernização; desmontagem.

FEED corresponde ao desenvolvimento inicial de engenharia, utilizado em determinados contextos industriais. A tradução preserva o sentido do esquema sem equiparar automaticamente essas fases às etapas de contratos brasileiros ou suíços.

Referências austríacas: a família ÖNORM

O manual apresenta a ÖNORM A 6241 como família de referências para documentação digital e modelagem:

  • ÖNORM A 6241-1:2015: estruturas de dados CAD e BIM no nível 2; inclui conceitos, estruturas, princípios de visualização, troca e armazenamento de dados.
  • ÖNORM A 6241-2:2015: BIM no nível 3-iBIM; estabelece bases para intercâmbio estruturado e independente de produto, associado a IFC e bSDD.

O texto distingue a troca geral de arquivos CAD da organização de um intercâmbio openBIM. Também ressalta que a parte 2 precede a ISO 19650-1, o que explica diferenças de terminologia.

O livro menciona uma revisão da seção de detalhamento em andamento naquele momento. Essa informação foi mantida como contexto de 2024, sem afirmar o estado atual dessa revisão.

Modelo do projeto, disciplinas e submodelos

No esquema apresentado, os requisitos do contratante orientam o modelo do projeto, relacionado pelo manual ao modelo de informação do projeto da ISO 19650. O conjunto é organizado em modelos de disciplinas e, quando necessário, em submodelos.

Modelo do projeto organizado em disciplinas, com subdivisão de instalações em aquecimento, ventilação, hidráulica e elétrica.Modelo do projeto organizado em disciplinas, com subdivisão de instalações em aquecimento, ventilação, hidráulica e elétrica.

Uma estrutura possível de disciplinas e submodelos, orientada pelos requisitos do contratante.

O exemplo inclui arquitetura, terreno e construções existentes, instalações, física da edificação, engenharia estrutural e empresa construtora. As instalações são subdivididas em aquecimento, ventilação, hidráulica e elétrica.

O nível de detalhamento deve acompanhar a fase e a finalidade da informação. O manual relaciona essa organização às fases da EN 16310 e aos anexos da norma austríaca.

Dimensões: modelo, tempo, custos e sustentabilidade

O manual descreve as dimensões como formas de utilizar a informação do modelo:

Dimensões 2D a 6D no esquema austríaco: desenhos, modelo da edificação, tempo, custos e sustentabilidade.Dimensões 2D a 6D no esquema austríaco: desenhos, modelo da edificação, tempo, custos e sustentabilidade.

Convenção de dimensões apresentada pelo manual no contexto das normas austríacas.

DimensãoAplicação no esquema
2DDesenhos de construção.
3DModelo da edificação com informação geométrica e alfanumérica.
4DCronograma determinado ou simulado a partir da informação do modelo.
5DQuantidades e custos associados à informação do modelo e às descrições de serviços.
6DAvaliação da sustentabilidade nos aspectos ambientais, sociais e econômicos.

O livro relaciona a descrição das dimensões à ÖNORM A 6241-1, enquanto a legenda de sua figura menciona a parte 2. O artigo preserva a convenção apresentada sem resolver essa diferença como uma atribuição normativa confirmada. Em particular, o significado de 6D deve ser explicitado no projeto, em vez de ser presumido a partir da sigla.

O manual indica que a medição e o faturamento baseados em modelos dependem de acordo contratual prévio. Essa observação pertence ao contexto austríaco apresentado e não constitui uma orientação jurídica automática para outro contrato ou país.

Propriedades e informação para operação

O servidor de propriedades do Austrian Standards International — ASI é apresentado como uma referência nacional para definições de propriedades, incluindo descrição, disciplina, tipo e fase do projeto. Essas propriedades podem ser conectadas ao bSDD por seus identificadores URI.

O trecho também descreve o esquema IFC como estrutura independente de fabricante para intercâmbio e menciona orientações básicas de modelagem no anexo da norma. As referências a versões mais antigas do IFC pertencem à descrição histórica dessa publicação.

A ÖNORM A 7010-6:2019 é apresentada como referência para os requisitos de informação de contratantes e operadores. O conteúdo genérico é organizado em tabelas para elementos espaciais e equipamentos relevantes à operação, incluindo dados necessários a manutenção, conservação, inspeção e substituição.

O manual cita uma implementação IFC prevista na ÖNORM A 6241-3. Essa previsão é tratada como informação da edição de 2024, sem confirmação de sua publicação atual.

A ÖNORM A 2063-2 trata do intercâmbio eletrônico de dados para licitação, adjudicação e faturamento, considerando o BIM. O texto destaca listas de elementos e parâmetros e a ligação entre os itens de serviço e o modelo IFC.

Referências suíças apresentadas pelo manual

O livro apresenta o seguinte panorama para a Suíça na primavera de 2024:

ReferênciaTema descrito
SIA 2014Intercâmbio de dados CAD, estrutura e identificação de camadas.
SIA 4013Diretrizes de intercâmbio CAD, organização e planejamento; regras registradas no manual CAD do projeto.
SIA 405Geodados de redes de abastecimento e descarte, como base para cadastro integrado das redes.
SIA 4008Guia de aplicação da SIA 405 para cadastro de redes.
SN EN ISO 19650-1:2018Conceitos e princípios da gestão da informação.
SN EN ISO 19650-2:2018Fase de entrega dos ativos.
SN EN ISO 19650-3:2020Fase de operação dos ativos.
SN EN ISO 19650-4:2022Intercâmbio de informação.
SN EN ISO 19650-5:2020Abordagem orientada à segurança da informação.

Essa lista traduz o trecho original. Ela não representa uma relação completa das referências vigentes nem confirma que cada documento seja aplicável ao mesmo empreendimento.

Referências alemãs: a série VDI 2552

O manual apresenta as seguintes partes da série VDI 2552. As datas abaixo reproduzem as referências da edição de 2024:

Parte citadaTema traduzido
1 — 2020Fundamentos do BIM.
2 — 2022Termos e definições.
3 — 2018Determinação de quantidades baseada em modelos para orçamento, planejamento de prazos, contratação e contabilização.
4 — 2020Requisitos de intercâmbio de dados.
5 — 2018Gestão dos dados.
6 — 2023Gestão de instalações e operação, ou facility management.
7 — 2020Processos.
VDI/bS-MT 8.1 — 2019Qualificação: conhecimentos fundamentais.
VDI/bS-MT 8.2 — 2022Qualificação: conhecimentos avançados.
VDI/bS-MT 8.3 — 2022Qualificação: competências.
9 — 2022Sistemas de classificação.
10 — 2021Requisitos de informação do contratante e plano de execução BIM.
VDI/bS 11.1 — 2021Requisitos de troca de informação para casos de uso BIM.
VDI/bS 11.2 — 2022Requisitos de troca: rasgos e aberturas.
VDI/bS 11.3 — 2020Requisitos de troca: fôrmas e sistemas de andaimes para concreto moldado no local.
VDI/bS 11.5 — 2023Requisitos de troca: tecnologia de elevadores.
VDI/bS-EE 11.8 — 2023Requisitos de troca: planejamento de fábricas.
VDI/DIN-EE 12.1 — indicada como 2020Descrição estruturada de casos de uso BIM.

O catálogo deve ser consultado para confirmar a designação e a edição de cada documento antes de utilizá-lo. O portal oficial da série VDI 2552, indicado pelo manual, oferece o ponto de acesso às referências da entidade.

Aplicar as referências ao empreendimento

Como síntese editorial, a seleção das referências pode seguir quatro passos:

  1. Definir a finalidade das entregas e a necessidade de informação.
  2. Identificar os padrões de dados e de intercâmbio compatíveis com essa finalidade.
  3. Organizar responsabilidades e processos de gestão da informação.
  4. Conferir as edições e as referências nacionais efetivamente adotadas no contrato.

O esquema histórico ajuda a entender as relações entre os documentos. A aplicação prática exige tornar essas escolhas explícitas no EIR, no BEP e nas regras de entrega e verificação do projeto.

Fonte e contexto editorial

Tradução e adaptação de BIMcert Handbook: Basic Knowledge openBIM, edição 2024, de Christoph Carl Eichler, Christian Schranz, Tina Krischmann, Harald Urban, Markus Hopferwieser e Simon Fischer. As cinco imagens fornecidas foram preparadas para os temas claro e escuro, acompanhadas de legendas em português. Referências históricas e atualizações editoriais foram identificadas separadamente para preservar o sentido do livro sem apresentar seu panorama como um catálogo integralmente atualizado.