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openBIM · Artigo

Casos de uso BIM: da finalidade aos requisitos de troca

Como o serviço UCM organiza casos de uso, processos e entregas de informação para conectar EIR, BEP, IFC e IDS ao trabalho das equipes.

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Este subartigo aprofunda openBIM: dos requisitos à modelagem e à verificação. Um modelo só é útil quando responde a uma decisão concreta: calcular quantidades, coordenar a obra, conferir uma exigência ou preparar a operação. O caso de uso BIM parte dessa finalidade e define a informação necessária para realizá-la.

O Use Case Management (UCM) da buildingSMART reúne casos de uso descritos de forma comparável. Ele ajuda contratantes e equipes a especificar quem entrega o quê, para quem, quando e com qual qualidade, sem amarrar o processo a um programa específico. A figura ilustra a abrangência da abordagem, do planejamento à construção e à operação.

Ilustração de atividades e participantes ao longo da cadeia de valor da construção.Ilustração de atividades e participantes ao longo da cadeia de valor da construção.

Começar pela decisão, não pelo arquivo

Um caso de uso descreve o objetivo, o resultado esperado, os participantes, suas responsabilidades, as atividades e as condições externas que afetam a troca de informação. Para cada entrega, explicita qual informação é requerida, em que momento, por quem e para qual ação. O LOIN ajuda a ajustar o conteúdo e a profundidade da informação à finalidade, evitando tanto lacunas como detalhamento sem uso.

Quantificação e custos, energia incorporada, logística do canteiro e operação são exemplos de finalidades distintas. Cada uma pode exigir objetos, propriedades, geometria, documentos e responsáveis diferentes. Por isso, um projeto não se define por um único “nível BIM” geral: ele reúne vários casos de uso, com entregas verificáveis em etapas determinadas.

O manual aproxima caso de uso e Information Delivery Manual (IDM). Convém distinguir os papéis: o caso de uso expressa a necessidade e o cenário de trabalho; a metodologia IDM, descrita na ISO 29481, estrutura processos e requisitos de troca para documentá-los de modo consistente. Um IDM pode consolidar casos relacionados. A explicação atual do UCM apresenta o caso de uso como ponto de partida dessa documentação.

O que o UCM organiza

O serviço foi criado para reunir práticas que antes circulavam em documentos difíceis de localizar ou comparar. A consulta pública de casos de uso permite encontrar descrições, status e referências. A criação colaborativa ocorre no Co-Creation Space; downloads e comentários podem exigir registro gratuito. O conteúdo publicado funciona como referência genérica. A equipe ainda precisa escolher os usos pertinentes, adaptar exigências ao empreendimento e acordar as entregas contratuais.

Na estrutura apresentada pelo manual e pelo UCM, cada caso combina:

  1. Descrição: finalidade, escopo, limites, dependências e critérios de sucesso.
  2. Processo: atores, tarefas, sequência, momentos de troca e destinatários.
  3. Requisitos de troca: informação legível para os profissionais, incluindo conteúdo e nível de necessidade.
  4. Especificação técnica: quando possível, mapeamento dos requisitos para IFC e expressão verificável em IDS.

O exemplo de disposição de armaduras a partir do modelo mostra, lado a lado, dados do elemento, representação geométrica e estrutura de requisitos. A imagem retrata o estado do software e do formato de exportação no manual de 2024; a implementação atual deve ser conferida com a versão de IDS e IFC adotada no projeto.

Exemplo de caso de uso para disposição de armaduras: propriedades do objeto, geometria e requisitos estruturados.Exemplo de caso de uso para disposição de armaduras: propriedades do objeto, geometria e requisitos estruturados.

Ligar objetivos, EIR, BEP e modelos

No modelo de gestão da informação de Bauen digital Schweiz / buildingSMART Switzerland, as necessidades surgem em níveis diferentes. OIR registra necessidades da organização; PIR, do projeto; AIR, do ativo. Os EIR traduzem necessidades selecionadas em requisitos para trocas específicas. O BEP descreve como a equipe pretende atendê-los. As entregas alimentam o PIM durante o projeto e, conforme seleção e validação, o AIM para a gestão do ativo.

O caso de uso conecta essas peças: associa uma finalidade à decisão, aos responsáveis, ao momento da troca e aos critérios de aceitação. Assim, quem solicita e quem produz a informação podem interpretar o mesmo pedido. O UCM oferece a base de referência; não executa sozinho a gestão documental, a modelagem ou a verificação do empreendimento.

Fluxo de requisitos organizacionais, de projeto e de ativo até EIR, BEP e modelos de informação.Fluxo de requisitos organizacionais, de projeto e de ativo até EIR, BEP e modelos de informação.

Como desenvolver e conferir um caso de uso

O manual recomenda uma equipe interdisciplinar, conduzida por um responsável pela coordenação e apoiada pelos especialistas das áreas envolvidas. O grupo descreve o processo e os requisitos em linguagem compreensível antes de mapear os elementos técnicos. Um fluxograma BPMN pode tornar visíveis as atividades e as interfaces; uma tabela organiza as entregas e suas condições.

Depois, especialistas relacionam os requisitos ao esquema IFC pertinente e, para aquilo que a linguagem comporta, os expressam em IDS. Modelos de exemplo e ferramentas distintas ajudam a testar a interpretação e a capacidade de troca. A buildingSMART faz a revisão formal antes da publicação no serviço; a correção técnica do conteúdo permanece responsabilidade do grupo que o elaborou. Uma revisão ampla com profissionais que não participaram da redação inicial reduz ambiguidades.

Para um projeto real, a sequência prática é selecionar o caso de uso, explicitar o que precisa ser adaptado, incorporá-lo aos EIR, responder no BEP, produzir as entregas e conferir o resultado. O retorno da equipe ao responsável pelo caso de uso, por meio dos comentários do UCM, pode aprimorar a referência para projetos futuros.

Exemplo: proteção contra quedas na obra

O caso de uso suíço Absturzsicherheit no UCM, desenvolvido com a Suva, trata do planejamento, da coordenação e da verificação de medidas temporárias de proteção contra quedas. A fotografia mostra uma proteção lateral em canteiro, enquanto os modelos ilustram como a medida pode ser representada e examinada antes e durante a execução.

Proteção lateral temporária instalada em uma frente de obra.Proteção lateral temporária instalada em uma frente de obra.

Três vistas de modelos digitais que representam medidas temporárias de proteção contra quedas.Três vistas de modelos digitais que representam medidas temporárias de proteção contra quedas.

O valor está em relacionar o risco em cada fase da obra às medidas previstas, aos responsáveis e à conferência no local. O modelo pode apoiar o planejamento, a contratação, a preparação do trabalho e as inspeções. Visualizações e realidade mista podem auxiliar a comparação com o canteiro, mas não substituem a avaliação técnica, os controles presenciais nem as obrigações de segurança. O manual de 2024 cita bibliotecas paramétricas e conjuntos de regras então disponíveis; consulte os materiais atuais da Suva antes de adotá-los.

Fonte do artigo

Tradução e adaptação editorial das páginas 145–152 de BIMcert Handbook: Basic Knowledge openBIM, edição 2024, seção “UCM – buildingSMART Use Case Management Service”, de Thomas Glättli. As cinco imagens foram fornecidas pelo usuário; suas legendas impressas foram removidas e substituídas por descrições em português. O texto reorganiza o conteúdo para leitura independente e distingue exemplos e planos de 2024 das páginas oficiais consultadas em 2026.