LOIN: definir a informação necessária para cada uso do modelo
Como especificar geometria, dados e documentos a partir da finalidade da entrega — e aplicar o método a um exemplo de proteção contra incêndio.
Nesta página
Este subartigo aprofunda openBIM: dos requisitos à modelagem e à verificação. Depois de definir os usos do modelo e as entregas, surge uma pergunta prática: quanta informação cada elemento precisa conter em uma determinada etapa? O Level of Information Need (LOIN, nível de informação necessário) responde a essa pergunta a partir da finalidade da troca, de quem participa e de quando a informação será usada.
O manual apresenta o método da EN 17412-1 e a relação com os papéis e processos da ISO 19650. Em 2024, os mesmos conceitos e princípios também foram publicados internacionalmente como ISO 7817-1:2024. O LOIN especifica a informação geométrica, a informação alfanumérica e a documentação exigidas para uma entrega. Não é uma ordem genérica para modelar tudo com o maior detalhe possível.
Comece pelo uso, não pelo número de detalhe
É comum resumir a evolução dos modelos em classes de detalhe 100 a 500 ou em siglas como LOG e LOI. Elas ajudam a conversar sobre a elaboração geométrica e informacional, mas, sozinhas, não definem uma entrega sem ambiguidade. Dois participantes podem imaginar conteúdos diferentes para o mesmo “nível 300”. O manual recomenda derivar os requisitos dos usos concretos e registrá-los nas regras do empreendimento, em vez de contratar apenas uma classe numérica.
Esse cuidado evita tanto a modelagem excessiva quanto lacunas que só aparecem na coordenação ou na entrega. O nível necessário pode aumentar ou diminuir de uma etapa para outra, conforme o uso: aprovação, orçamento, licitação, fabricação, montagem ou operação. Mais detalhe não significa automaticamente mais valor.
O método tem dois passos. Primeiro, definir as condições da entrega. Depois, especificar como a informação será apresentada.
Passo 1 — Por quê, quando, quem e o quê
Antes de determinar o conteúdo do modelo, a equipe deve responder quatro questões. Essas condições orientam o LOIN, mas não são, por si sós, o nível de informação:
| Pergunta | Decisão a registrar |
|---|---|
| Por quê? | Qual é o uso do modelo e que decisão ou atividade ele deve apoiar? |
| Quando? | Em que marco a informação será entregue e utilizada? |
| Quem? | Quem solicita ou recebe a informação, e quem a produz ou mantém? |
| O quê? | Quais objetos e conteúdos são necessários para aquele uso? |
Essa sequência permite que contratante e equipes estimem o esforço, distribuam responsabilidades e acordem o escopo da entrega. Os requisitos podem ser incorporados aos requisitos de troca de informação (EIR) e operacionalizados no plano de execução BIM (BEP). Vale explicitar, para cada entrega, quem valida o conteúdo e como será comprovado que ele atende ao uso previsto.
Passo 2 — Como representar a informação
O segundo passo descreve três componentes complementares:
- Geometria (LOG): detalhe simplificado ou detalhado; dimensionalidade 0D, 1D, 2D ou 3D; localização absoluta ou relativa; aparência simbólica ou realista; e comportamento paramétrico, quando exigido.
- Dados alfanuméricos (LOI): identificação dos objetos por chaves e classificação, além de atributos e propriedades com conteúdo definido.
- Documentação (DOC): conjunto de documentos exigidos para aquele marco, como plantas, relatórios, comprovações e registros.
O objetivo é que a entrega possa ser interpretada por pessoas e aplicações. Por exemplo, “informar a resistência ao fogo” ainda deixa dúvidas: em quais elementos, em qual propriedade, com que classificação, em que fase e para qual verificação? Uma definição utilizável responde a essas perguntas. Se os dados exigidos ultrapassarem os conjuntos de propriedades previstos para o intercâmbio IFC adotado, as propriedades adicionais precisam ser especificadas e mapeadas explicitamente.
As informações de plantas e tabelas derivadas do modelo devem ser coerentes com o que está nos objetos. Ainda assim, a documentação pode conter conteúdo adicional. A conferência humana e a aprovação dos documentos continuam necessárias; gerar uma prancha a partir do modelo não prova, por si só, sua correção técnica.
Exemplo: conceito de proteção contra incêndio
As páginas 119–122 aplicam o método a um exemplo abstrato de coordenação e documentação da proteção contra incêndio. No primeiro passo, a finalidade é coordenar medidas construtivas e técnicas e produzir os documentos correspondentes. O marco é o fim da fase de planejamento 3 usada pelo exemplo do manual. Arquitetura e planejamento de proteção contra incêndio compartilham a autoria, com papéis distintos. A entrega inclui os elementos e as informações necessários para coordenar o conceito.
No segundo passo, a geometria deve localizar os elementos em seus pavimentos de origem e representá-los conforme o catálogo acordado, com precisão suficiente para os documentos previstos. O exemplo cita espaços, paredes, portas, escadas, pilares, equipamentos de extinção, alarmes e sinalização de saída. Recomenda evitar elementos genéricos para componentes que têm classe IFC própria. Há uma exceção no próprio exemplo: a sinalização de saída é mapeada como IfcBuildingElementProxy com tipo definido pelo usuário. Portanto, a regra é classificar corretamente cada objeto para o intercâmbio acordado, não proibir toda ocorrência de proxy.
Para os dados alfanuméricos, o manual exemplifica classes e tipos IFC, entre eles IfcSite, IfcBuilding, IfcBuildingStorey, IfcSpace, IfcWall, IfcDoor, IfcStair, IfcColumn, IfcFireSuppressionTerminal e IfcAlarm. A tabela de plano de elementos relaciona os atributos e propriedades solicitados aos componentes e às etapas. Ela funciona como exemplo de estruturação; seus campos e a gradação ilustrada não substituem os requisitos específicos de outro projeto.
A documentação prevista no exemplo inclui planta de implantação; plantas, cortes e vistas por pavimento; relatório explicativo e conceito de proteção contra incêndio; comprovações do fabricante e verificações dos sistemas. As pranchas devem apresentar de forma legível a sinalização e valores como a classe de resistência ao fogo, mantendo correspondência com os elementos modelados. O manual menciona entregas em DWG e PDF para os desenhos derivados dos modelos disciplinares.
Onde registrar e conferir os requisitos
O plano de modelo BIM complementa o BEP com exigências geométricas e de organização: topologia, pavimentos, unidades, origem de coordenadas, ponto de inserção, georreferenciamento e configurações de exportação. O plano de elementos BIM registra, por fase, uso e componente, o conteúdo exigido e as convenções de identificação. Assim, o pedido pode ser conectado à produção e à verificação.
Uma matriz de entrega útil contém, no mínimo: uso, marco, receptor, autor, classe de objeto, geometria, propriedades, documentos e critério de aceitação. A equipe pode então verificar automaticamente parte das classes e propriedades nos modelos e revisar a adequação técnica e documental por meio dos responsáveis definidos no BEP.
As referências externas do manual estão disponíveis como links diretos: fundamentos do LOIN e aplicação do LOIN em edificações, da Bauen digital Schweiz; documentação oficial do IFC 4.3; e os modelos históricos de plano de modelo BIM e plano de elementos BIM. Os endereços foram extraídos do PDF; os arquivos suíços históricos não puderam ser abertos no leitor público desta revisão.
Fonte e limites
Tradução e adaptação editorial das páginas 116–122 de BIMcert Handbook: Basic Knowledge openBIM (2024), seção de Paul Curschellas e Tina Krischmann. As cinco figuras fornecidas conservam o conteúdo gráfico original, sem as legendas impressas; versões para os temas claro e escuro foram preparadas separadamente. O exemplo de incêndio ilustra o método, sem constituir uma especificação de proteção contra incêndio aplicável a um empreendimento concreto.









