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openBIM · Artigo

Fundamentos da digitalização

Como conectar modelos BIM, gestão da informação e processos para apoiar decisões de projeto, construção e operação com openBIM.

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Um modelo digital tem valor quando ajuda alguém a tomar uma decisão com informações confiáveis. Na arquitetura e na construção, digitalizar envolve conectar pessoas, dados e processos: definir o que precisa ser informado, quem responde por essa informação e como ela será conferida e utilizada.

O BIM oferece uma base para essa organização. O openBIM amplia a colaboração entre equipes que utilizam ferramentas diferentes, apoiando a troca de informações por padrões abertos. O resultado depende tanto da qualidade dos dados quanto dos acordos de trabalho.

O problema que a digitalização precisa resolver

A construção reúne muitas empresas, disciplinas e etapas. Informações passam entre projetistas, clientes, empreiteiros, fornecedores e operadores, frequentemente em arquivos e canais separados. Quando cada participante organiza os dados de uma maneira, surgem versões divergentes, retrabalho e dúvidas sobre qual informação deve orientar uma decisão.

O BIMcert Handbook 2024 apresenta essa fragmentação como um dos obstáculos à digitalização. Sua contribuição central é relacionar a tecnologia à revisão dos processos. Automatizar uma rotina mal definida pode apenas acelerar a circulação de informações incorretas.

Para um escritório, um ponto de partida útil é identificar uma dificuldade concreta: controlar revisões, coordenar disciplinas ou preparar uma entrega com informações verificáveis. Essa necessidade orienta a escolha das ferramentas e o esforço de implantação.

BIM conecta modelo, tecnologia e processos

BIM significa Building Information Modelling, ou Modelagem da Informação da Construção. O modelo reúne geometria, propriedades e relações entre elementos. Uma parede pode ter forma e posição, mas também identificação, material e outras informações necessárias ao projeto.

A tecnologia permite produzir e consultar esses dados. Os processos definem responsabilidades, momentos de entrega e critérios de revisão. Os três aspectos precisam funcionar juntos.

A ISO 19650-1:2018 apresenta conceitos de gestão da informação ao longo do ciclo de vida dos ativos construídos, incluindo organização, intercâmbio, registro e controle de versões. Esse foco ajuda a compreender por que uma representação tridimensional, por si só, não resolve a gestão de um projeto.

Onde entra o openBIM

A buildingSMART International descreve o openBIM como um processo colaborativo independente de fabricante, apoiado pela interoperabilidade e por padrões abertos. O objetivo é permitir que as informações possam ser compartilhadas e utilizadas por diferentes participantes ao longo do ciclo de vida do ativo.

Na prática, a equipe precisa combinar o conteúdo da entrega, os formatos de intercâmbio e a maneira de verificar o que foi recebido. A liberdade de escolher ferramentas exige uma linguagem comum e acordos claros.

Para conhecer os papéis dos padrões nesse fluxo, consulte Fundamentos do openBIM. A aplicação dos acordos de colaboração é discutida em openBIM na prática.

Informação suficiente para cada finalidade

Um modelo mais detalhado não é automaticamente mais útil. Produzir informações sem uma finalidade definida aumenta o trabalho; omitir informações necessárias compromete as decisões.

O LOIN — Level of Information Need, ou nível de necessidade de informação, ajuda a definir o conteúdo necessário para uma determinada entrega. A ISO 7817-1:2024 trata dos conceitos e princípios para especificar essa necessidade e a extensão das informações a entregar.

A pergunta inicial é: qual decisão ou tarefa essa informação deve apoiar? A resposta permite definir a geometria, as propriedades e a documentação necessárias. Esse conceito não deve ser confundido com a maturidade BIM da organização.

O exemplo abaixo é uma proposta editorial simplificada, não uma especificação completa de requisitos:

FinalidadeInformações a combinarConferência necessária
Coordenar arquitetura e instalaçõesPosição dos elementos, identificação e espaços relevantes para a análise.Os modelos estão alinhados e permitem verificar as interfaces previstas?
Preparar quantitativosGeometria pertinente à medição, classificação e critérios de inclusão.As regras de medição estão claras e os elementos foram classificados corretamente?
Apoiar a operaçãoIdentificação dos equipamentos, propriedades e documentação de manutenção acordadas.O operador consegue localizar e utilizar as informações entregues?

A definição deve ser ajustada às necessidades reais do projeto. Continue a leitura em Requisitos de informação.

Colaboração exige controle de versões

O CDE — Common Data Environment, ou ambiente comum de dados, apoia a organização e o compartilhamento das informações. Seu valor está no fluxo de trabalho associado: quem pode produzir, revisar, aprovar e consultar cada entrega.

Uma pasta compartilhada com arquivos sem identificação ou controle de revisão mantém as dificuldades de comunicação. A equipe precisa distinguir informações em elaboração das entregas autorizadas para uso, preservar o histórico e controlar os acessos.

Esses cuidados reduzem a chance de uma decisão ser tomada com uma versão ultrapassada. O ciclo de coordenação apresenta uma sequência introdutória para organizar a revisão dos modelos.

Benefícios possíveis e limites

O manual associa a digitalização à melhoria da comunicação, da coordenação, dos quantitativos e da gestão de ativos. Também destaca oportunidades de reduzir desperdícios e apoiar a operação com informações produzidas durante o projeto.

Esses benefícios dependem da implementação. Quantitativos só são confiáveis quando a modelagem e os critérios de medição são adequados. Informações de manutenção só têm utilidade quando correspondem às necessidades do operador e permanecem atualizadas.

A implantação também exige investimento em capacitação, infraestrutura e revisão de processos. Pode ocorrer uma queda inicial de produtividade. O retorno deve ser avaliado no contexto da organização; não há prazo de recuperação garantido pela adoção de BIM.

Um roteiro para começar

Como aplicação editorial dos conceitos do manual, propomos um roteiro para escritórios e equipes de projeto:

  1. Diagnostique a situação atual. Registre onde ocorrem perdas de informação, retrabalho e dúvidas sobre responsabilidades.
  2. Defina um objetivo verificável. Escolha um problema e estabeleça como observar uma melhoria.
  3. Organize uma entrega piloto. Combine conteúdo, responsáveis, ferramentas, momento da entrega e critérios de aceitação.
  4. Capacite os participantes. Inclua produção, revisão e uso da informação, além dos comandos de software.
  5. Avalie o resultado. Registre esforço, falhas e ajustes antes de ampliar o processo.

A maturidade BIM aparece na capacidade de repetir, avaliar e melhorar os processos. Ter uma licença de software ou um modelo detalhado não demonstra, isoladamente, essa capacidade.

Segurança e continuidade dos dados

A digitalização aumenta a importância da segurança. Permissões de acesso, cópias de segurança e procedimentos de recuperação precisam acompanhar o fluxo de colaboração. O controle deve continuar quando participantes entram ou saem da equipe.

Também é necessário esclarecer responsabilidades sobre o conteúdo dos modelos e os direitos de uso dos dados. Esses acordos devem ser tratados no contexto contratual de cada projeto.

O objetivo é manter as informações acessíveis às pessoas autorizadas e utilizáveis nas etapas seguintes. Para isso, vale começar com um processo delimitado, conferir uma entrega real e ampliar o uso conforme a equipe ganha capacidade.

Fontes e leitura complementar

Fonte principal: BIMcert Handbook: Basic Knowledge openBIM, edição 2024, seção “Digitalisation basics”. Autores: Christoph Carl Eichler, Christian Schranz, Tina Krischmann, Harald Urban, Markus Hopferwieser e Simon Fischer.

Adaptação e síntese editorial: ARQUITETURA.COM, 4 de outubro de 2026. O artigo reorganiza os conceitos do manual para leitura prática. O exemplo de entregas e o roteiro de implantação são propostas da redação e não documentam testes de software.

Referências públicas consultadas em 4 de outubro de 2026:

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